Como escrever um poema de Sinterklaas para o Amigo Secreto
A tradição holandesa do poema de Sinterklaas explicada: de onde tirar as piadas, como rimar sem ser poeta e como ligar os versos ao presente.
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Quem trabalha nos Países Baixos ou na Flandres aprende isto no primeiro dezembro: no Amigo Secreto de Sinterklaas, o presente vem com um poema. Escrito na voz do próprio Sinterklaas, que brinca com carinho com os hábitos de quem o recebe, e lido em voz alta diante de todos. Para quem nunca escreveu um, parece mais difícil do que é.
Como funciona a tradição
O poema é escrito na voz de Sinterklaas, que passou o ano de olho na pessoa e tem opiniões sobre o que viu. O tom é de brincadeira, nunca de maldade. Os versos rimam dois a dois (AABB), a linguagem é simples e o comprimento fica entre 8 e 16 versos. Ninguém espera literatura; espera-se que quem escreve tenha reparado na pessoa.
É isso que faz o poema funcionar, porque mostra que quem escreve conhece a pessoa, coisa que um presente sozinho raramente consegue.
Onde procurar material
Antes de escrever uma linha, pense em quem vai receber. Chega sempre cinco minutos atrasada, tem uma coleção de canecas que já não cabe na mesa, pede o café com três instruções, deixa morrer todas as plantas do escritório. Os melhores lugares para procurar:
- Manias no trabalho e pequenos incidentes de que todos se lembram
- Um passatempo de que a pessoa fala demais (a maratona, o sourdough, o padel)
- Uma viagem recente cheia de imprevistos engraçados
- A relação com a tecnologia, do Teams que nunca funciona ao telefone sem bateria
- O almoço previsível de todos os dias
Limite-se a provocações leves, do tipo que nasce de gostar da pessoa. O teste é simples: o que não se diria na cara da pessoa com um sorriso não entra no poema.
A estrutura em três partes
Comece com a apresentação de Sinterklaas, que diz ter passado o ano atento: "Querida Ana, este ano estive atento, / e vi muito mais do que se pensa, num momento." Depois vêm dois ou três pares de versos, cada um sobre uma observação diferente. Termine com a razão pela qual Sinterklaas escolheu aquele presente, ligada ao que acabou de ser descrito.
Mantenha os versos mais ou menos do mesmo tamanho e leia o poema em voz alta durante a escrita. Se um verso faz tropeçar, reescreva; se a rima é forçada, mude a palavra do fim do verso anterior. Um poema de dez versos torto e sincero vale mais do que uma estrofe perfeita copiada da internet, e o grupo percebe a diferença na hora.
Nos Países Baixos há geradores de poemas online, e todos soam como gerador de poemas online. O melhor é escrever o seu.
Onde o humor entra e onde fica de fora
Os bons poemas encontram graça nos hábitos do dia a dia e nas pequenas imperfeições, do tipo que faz a pessoa rir de si mesma. Se quem escreve tem a mesma mania que está no poema, vale a pena dizer isso; a autoironia dá licença para o resto.
Deixe de fora a aparência física, a vida amorosa e qualquer coisa que toque numa dificuldade real. A planta que morreu, a caneca número trinta e o almoço de sempre são terreno seguro e mais engraçado. Uma piada interna que só o grupo entende torna o poema mais afiado, desde que se perceba que é com carinho.
Ligue o poema ao presente
Os últimos versos revelam por que Sinterklaas escolheu aquele presente. Se o poema é sobre o vício em café, o presente é um pacote de café de uma boa torrefação ou uma caneca melhor do que as trinta que a pessoa já tem, e o poema diz isso. A piada e o embrulho têm de encaixar.
Isso é muito mais fácil quando o presente já está escolhido antes de escrever. Se o grupo combinou criar uma lista de desejos por pessoa, o presente é escolhido primeiro na lista da pessoa sorteada, e os versos são escritos depois, à medida da pessoa e do presente.
É possível organizar um Amigo Secreto por email, com orçamento definido, e combinar que cada participante leva um poema junto com o presente. É a combinação de que as pessoas ainda falam no verão seguinte.



